Como começou Antônio Luiz Seabra, o fundador da Natura

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O fundador da Natura, o paulistano Antônio Luiz Seabra, criador de uma das maiores marcas de cosméticos do mundo e mais tradicionais no Brasil, configurando em 17º entre as cinquenta marcas de cosméticos mais valiosas do mundo, listadas pelo site Brand Finance, a única empresa brasileira na lista. Este empreendimento de sucesso, inspirado no sistema de vendas diretas, da americana Avon, fez de Antônio Luiz Seabra um dos homens mais ricos do país, tendo uma fortuna estimada em mais de 3 bilhões de reais.

O começo de Antônio Luiz Seabra.

Começou a trabalhar como calculista de custo indireto na empresa onde seu pai trabalhava, qaundo tinha ainda 15 anos de idade. Formou-se em Economia e foi trabalhar como trainee no departamento pessoal da americana Remington Rand, empresa de fabricação de computadores, onde se tornou superintendente.
Não foi o universo da tecnologia que inspirou Seabra a fundar o seu negócio, mas sim, a experiência de três anos gerenciando um laboratório de cosméticos que entrou após 8 anos na Remington, na capital paulista, onde aprendeu muito sobre esta indústria e teve o insights de lançar a Natura.

A criação da sua empresa, a Natura.

Aos 27 anos, fundou a Industria e Comércio de Cosméticos Berjeaout Ltda, em sociedade com Jean Pierre Berjeaout, que viria a se chamar Natura em poucos meses, devido à participação de ativos vegetais na composição dos produtos. No começo, ele prestava consultoria de beleza aos clientes.
Este contato direto com o público foi fundamental para Luiz entender melhor o que as pessoas pensavam sobre artigos de beleza e o que elas gostavam em termos de perfumaria e cosméticos. E mais, foi ai que o empresário pode compreender que usar os produtos não era só uma questão estética, mas que estava diretamente ligada à autoestima, bem-estar e satisfação da pessoa com sua própria imagem.

Sempre pensei no dinheiro como um meio de acesso à beleza, à harmonia, não apenas da forma, mas também dos sentidos.

– Luiz Seabra, em uma entrevista à Época Negócios.

O pioneirismo da Natura.

A lista é gigante. A Natura foi a primeira empresa a oferecer refis no setor de cosméticos no Brasil. Já em 2007, oferecia aos seus consumidores produtos de carbono neutro, pensando em reduzir e compensar as emissões de gases geradores do efeito estufa (GEEs), um dos contrapontos do setor de cosméticos. Também começou a disponibilizar nas suas embalagens uma Tabela Ambiental, inspirada nas tabelas nutricionais de alimentos: um quadro com dados técnicos sobre as formulações e embalagens, com informações como o percentual de ingredientes de origem vegetal renovável e número recomendado de refilagens.
Em 2015, a Natura recebeu o prêmio internacional Champions of the Earth 2015, na categoria “Visão Empreendedora”, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em reconhecimento ao compromisso da companhia em priorizar a sustentabilidade na sua estratégia de negócios. O prêmio é a mais alta honraria ambiental concedida pelo PNUMA, que reconhece lideranças mundiais em programas ambientais inspiradores em âmbitos de governo, negócios, pesquisa e ativistas.
Hoje, a empresa de Antônio Luiz Seabra está presente no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela e França, com planos de expansão para os EUA. Com 7000 funcionários 1 milhão e meio de consultores e consultoras, tem valor de mercado estimado em R$ 18,133 bilhões, em 2014.

Você tem contato com empreendedores?

Antônio Luiz Seabra já passou por anos sabáticos. “Quando fiz 40 anos disse para mim mesmo: a partir dos 50 quero viver períodos fora do Brasil, porque é o jeito que terei para redescobrir minha alma, investida todo o tempo no desenvolvimento do negócio. É um processo espiritual que implicava distanciamento geográfico, mesmo estando todo o tempo escrevendo ou em contato com a empresa”, disse em uma entrevista è Época Negócios.

Hoje, com um patrimônio estimado em US$ 1,04 bilhão (R$ 4,12 bilhões), mora em Londres e faz parte do clube de bilionários da Forbes, num ano em que pelo menos 23 brasileiros deixaram de fazer parte do clube dos dez dígitos. Luiz Seabra sempre considerou a intuição uma ferramenta forte de decisão, mas nunca deixou de se preparar e acreditar no que estava fazendo.

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